Estudo indica que mulheres são as que mais sofrem de mal-estar psicológico no trabalho

29/01/25
Estudo indica que mulheres são as que mais sofrem de mal-estar psicológico no trabalho

Cerca de um quarto dos portugueses ainda sente que o trabalho não lhes proporciona as condições necessárias para o bem-estar psicológico, de acordo com o estudo Consumer Sentiment Survey 2024, realizado pela Boston Consulting Group (BCG). A diferença de género é particularmente notável, com 27 % das mulheres a indicarem que o trabalho não garante o seu bem-estar mental, enquanto apenas 19 % dos homens compartilham da mesma opinião.

Manuel Luiz, managing director e partner da BCG em Lisboa, sublinha que, apesar de a maioria dos portugueses se sentirem bem psicologicamente no trabalho, ainda há uma percentagem significativa de profissionais que não consideram o seu ambiente laboral adequado para garantir o bem-estar mental. “O sucesso das empresas passa pelo bem-estar dos seus profissionais, e por isso as organizações devem continuar a investir em iniciativas que busquem equilibrar os objetivos empresariais com as necessidades dos colaboradores, nomeadamente para garantir a segurança psicológica de todos”, afirma.

Os fatores mais influentes no bem-estar psicológico dos trabalhadores incluem a relação com os colegas (33 %), as condições do local de trabalho (27 %), a flexibilidade horária (26 %) e a relação com a liderança (21 %). Por outro lado, a relação com entidades externas (10 %) e a diversidade e inclusão (7 %) têm uma menor relevância para os inquiridos.

O estudo também afirma que 60 % dos portugueses se sentem psicologicamente bem ou otimamente, com uma diferença de género clara: 67 % dos homens afirmam estar bem, enquanto apenas 53 % das mulheres se sentem da mesma forma. No entanto, o número de portugueses que se sentem psicologicamente instáveis tem vindo a diminuir desde 2021, com a taxa de instabilidade psicológica a cair 6 pontos percentuais, fixando-se atualmente em 14 %.

A saúde física (64 %) e a relação com os familiares (61 %) continuam a ser as áreas mais impactantes para a estabilidade psicológica, destacando-se também a saúde financeira, que é determinante para quase metade da população (47 %). Este valor subiu 2 pontos percentuais em relação ao ano passado.

No que diz respeito aos mecanismos utilizados para cuidar do bem-estar mental, os portugueses apostam principalmente em hábitos saudáveis, como alimentação e sono adequados (47 %), interação social com amigos e familiares (47 %) e prática de exercício físico regular (44 %). No entanto, apenas 22% dos inquiridos estabelecem limites saudáveis no trabalho, e 16% praticam técnicas de relaxamento. A procura por ajuda profissional continua a ser a opção menos procurada, com apenas 14 % dos inquiridos a recorrerem a este recurso.

O estudo da BCG foi realizado entre 6 e 20 de agosto de 2024, com 1.000 inquiridos em todo o território nacional, abrangendo 38 questões relacionadas com o sentimento dos portugueses em relação aos seus hábitos de consumo e bem-estar psicológico.

Partilhar

Publicações